É muito comum atribuir-se à coincidência a ocorrência de fatos não previstos e surpreendentes. Na vida privada, então, a todo momento as pessoas se referem à coincidência para justificar o que lhes foge à lógica. Na política, a visão deve ser outra.
Atribuir algo à coincidência tem o poder de estancar dúvidas e indagações. Na política também, não poucas vezes, os fatos são atribuídos à coincidência, possuindo as mesmas características daqueles para os quais não há motivos para esclarecimentos. Sua ocorrência é auto-explicativa.
No entanto, Francisco Ferraz diz que é bom se acostumar com dois princípios que no mundo real são quase leis: não há coincidência na política; os atos e fatos políticos são provocados por interesses.
É até possível que haja coincidência, mas é mais aconselhável pensar e trabalhar com a convicção de que elas nada mais são do que fatos para os quais ainda não encontramos motivos que os expliquem. Diante da aparente coincidência deve-se, em vez de repousar o espírito e conformar-se com a ocorrência, investigar suas razões. Vai ver que logo começarão a surgir fatos ou declarações que a precederam e que apontavam para aquela direção.
Aceitar a coincidência como um fato acabado pode, na maioria das vezes, encaminhar o governante para o rumo do pensamento mágico, e, portanto, ingênuo, levando-o a subestimar o que deveria ser valorizado. Adotando uma postura cética em relação ao acaso, se descobrirá que por trás das aparências existem encontráveis interesses, jogadas e lances com autores definidos, bem como beneficiados e prejudicados identificáveis.
Por: Francisco Ferraz (www.politicaparapoliticos.com.br)
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